Inception.

Realidade.

Do latim realitas, ou seja, coisa. Tudo aquilo que existe.

De acordo com a ciência, a nossa realidade começou há 13.799 biliões de anos, quando se deu o Big Bang,  a explosão que deu origem aquilo que conhecemos como o nosso Universo e Sistema Solar.

Desde sempre que o Homem se questiona. Questionamos-nos sobre tudo e mais alguma coisa, talvez porque desconfiamos de tudo aquilo que não conhecemos. Por isso, podemos afirmar que a dúvida acerca da realidade assombra o Homem desde que ele pousou, pela primeira vez, os pés na Terra. Sendo assim, o que é mesmo a realidade? Será que é o que tocamos? O que sentimos? O que percepcionamos?

Objeto de imensas teorias e diferentes teses, a concepção de realidade é algo que se vai alterando com o tempo, ao sabor do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, que nos permite descobrir cada vez mais sobre esta dimensão em que vivemos.

Acredito que o conceito de realidade depende do sujeito que a experiencia e encara. A visão do mundo de cada pessoa está constantemente a ser alterada. Porquê? Porque, como tudo à nossa volta, é subjetiva: as palavras, as acções, as estações, os gestos e pensamentos. Mas, se tudo for subjetivo e se a realidade depende de cada um de nós, quer dizer que esta também é subjetiva? Sim. De acordo com historiadores e cientistas, há várias maneiras de encarar a realidade:

  • A hipótese da realidade ser construída pelo ser humano, ou seja, existe desde que ele exista pois tudo o que faz parte da realidade é criado pelo Homem;
  • A realidade ser paralela ao ser humano e, mesmo que este não exista, esta é contínua e não depende da ação humana para “sobreviver”;
  • A teoria físico-quântica da Relatividade (e aquela com qual concordo plenamente), que nos diz que a base de tudo é a matemática, e que toda a realidade que conhecemos, assenta numa teoria chamada a “A Teoria da Relatividade”. Resumidamente, a Teoria da Relatividade advoga que tudo existe no espaço e no tempo. Melhor: deixa de existir espaço e tempo, para tudo existir no espaço-tempo. Desde o menor átomo à maior galáxia, tudo é em x, y, z, e também em t (coordenadas matemáticas relativas ao espaço). E é este t que corresponde à tão divulgada quarta dimensão.
  • A realidade como criação divina, pela mão de um Deus, que, para além de criar toda a natureza, o espaço e tempo, também criou a raça humana e todos os animais, o bem e o mal.

Mas até estas teorias podem ser postas em causa. Por exemplo, quem criou a matemática que forma a realidade. Se esta realidade é uma concepção formada pela mente humana, quem criou a nossa capacidade de raciocínio? É, por isso, impossível responder a quem cria a realidade, pois até algo todo – poderoso, como um buraco negro, tem a capacidade de sugar tudo aquilo que o rodeia, incluindo a luz, deixando-nos simplesmente com nada, ou seja, sem a própria realidade, pois até ele acaba por se sugar a ele mesmo. (Baseado na “Breve História do Tempo” de Stephen Hawking).

Felizmente, à medida que a nossa espécie foi evoluindo, também as nossas capacidades de raciocínio, pensamento e imaginação acompanharam esta evolução. O Homem sempre teve uma capacidade enorme de criar, inventar e sonhar por mais. Desde muito cedo que criámos histórias, personagens, e que tendemos a acreditar nelas como reais. Um exemplo disso? Os deuses e lendas mitológicas. Personagens e histórias “inventadas” (inventadas com um quê de realidade) às quais ainda recorremos no nosso dia – a -dia.

Defendo que, em certas circunstâncias, as histórias criadas pela mente humana são tão reais que acabamos por cortar com a linha ténue que as separam da realidade. Conseguimos orientar a nossa rotina com base em crenças de algo que nem sabemos o grau de veracidade em que se encontram. O nosso quotidiano é baseado em histórias: situações que nos são contadas e às quais não assistimos, descrições de pessoas que nunca vimos ou até notícias que nos são relatadas e que se passaram a mais de mil quilómetros de nós. Estamos constantemente a confundir o que aconteceu e o que não. Misturamos factos, acrescentamos pontos a pequenas histórias. Mentimos. Figuras como sereias, unicórnios ou até extraterrestres são conceitos que, neste momento, adquiriram a sua própria realidade. Têm forma, origem e até nome. Como? Bem, a partir do momento em que inventamos algo, esse algo torna-se real na nossa cabeça, aqui, um conceito C. Se espalharmos esse conceito por muitos mais sujeitos, estes vão tomar o conceito C como algo real, ligado a uma palavra que, por si só, já transmite algumas características (significante-significado, ligado a uma imagem fonética, segundo Saussure e Pierce), isto porque, o sujeito que criou C, atribui-lhe algumas características que, posteriormente, transmitiu ao transmitir também a ideia de C. Pode parecer confuso, mas, resumidamente, se várias cabeças pensarem em algo, esse algo torna-se real. Há um culto que é criado à sua volta, uma imagem de marca. Características que lhe são atribuídas. Ganham vida.

Um exemplo fácil disso:

47349-Santa-ClausDesde que me lembro que a história do Pai Natal me é contada, tal como a história das princesas da Disney, ou do homem do saco que me vem buscar se não comer a sopa toda. Apesar de todas as histórias que nos são transmitidas na infância, a do Pai Natal é diferente. Isto porque, a meu ver, é real.

A história de que existe um senhor, que vive na Lapónia e que nos traz as prendas de Natal de 24 para 25 de dezembro pode não ser real, mas o conceito de Pai Natal é. Porquê? Porque, à volta deste conceito foi criado um culto. Culto este que nos faz comprar prendas às pessoas mais chegadas nesta época, que nos faz juntar a família, que nos faz assistir ao “Sozinho em Casa” com os primos todos pela 4845121 vez. Um culto que, apesar de ter sido baseado numa figura cristã (São Nicolau), ganhou todo um enredo a partir do momento em que a Coca-Cola decidiu dar cor, vida e história a esta mesma personagem. De uma ideia, partiu-se para um conceito que, ao ser partilhado por muitos, esses muitos, aos poucos, tornaram-no real. Há figuras de pais natal espalhadas por todo o lado, as cores vermelho e branco ficaram associadas a dezembro, assim como o azevinho ou as camisolas de lã com renas, feitas pela tia avó.

Encaro a história do Pai Natal como uma das mais bem conseguidas dos últimos tempos e como um dos maiores desejos de qualquer pessoa, organização ou empresa: criar algo tão poderoso que, mesmo não sendo real, faça o público acreditar que o é. Magia.

Mas, e se a realidade for aquilo que nós achamos que não o é?

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