Um por todos e todos por…?

Alberto Caeiro dizia:

“… Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não, do tamanho da minha altura…”

Hoje em dia vivemos rodeados de ideias. De pessoas que pensam. De pessoas que criam, mas, sobretudo, de pessoas que fazem.

“Nada é mais poderoso que uma ideia, cujo o seu tempo é agora”

Esta foi a frase dita por Jason Russel, que afirma que, hoje em dia, vivemos num mundo onde tudo está conectado. Existem, neste momento, mais pessoas no facebook do que pessoas ativas na guerra há 200 anos atrás. Porquê? Porque, apesar de estarmos ligados e (supostamente) cada vez mais próximos, ainda temos como grande desejo pertencer a algo e ligarmo-nos a alguém. Vivemos num mundo onde o viver e o estar foram substituídos pela preocupação com o amanhã, que, tendo em conta o pensamento atual: “Vai ser pior que o de hoje”.

A Invisible Children foi criada no ano de 2004 com o objetivo de ajudar as crianças de regiões como região de norte do Uganda, Sudão do Sul, África Central e na República Democrática do Congo, mas em especial da cidade de Gula. Esta região está tomada pelo grupo armado LRA, mais conhecido como Lord’s Resistence Army, liderado por Joseph Kony. Esta organização nasceu de uma promessa feita pelo seu fundador a uma das crianças desta região, Jacob Ayaye. Jacob foi uma das 30.000 crianças raptadas à sua família, pela LRA, para servir como criança soldado, juntamente com o seu irmão. Ao fugir, Jacob acabou por ver o seu irmão, que ficou para trás, ser decapitado. O objetivo desta força armada é criar um exército que possa ser facilmente “formatado”, por ser formado por jovens rapazes, que ajude na expansão do poder e de território de Kony. Entre estas crianças estão também raparigas, que são usadas como escravas sexuais para satisfazer o desejo dos soldados.

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Assim, esta instituição tem como ser principal foco transmitir as atrocidades de Kony mas, sobretudo, consciencializar as pessoas que é algo completamente atual e que faz parte do dia a dia de muita gente.

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Jason e Jacob (2004)

2012 foi o ano para a organização com o lançamento do seu polémico documentário KONY 2012.

O documentário tinha como objetivo, em primeiro lugar, tornar-se viral: quebrar o número de partilhas, passando pelos quatro cantos do mundo, transformando-se num fenómeno. O segundo objetivo seria tentar perceber até que ponto a partilha deste video poderia construir uma “maré” de consciencialização global. De que maneira as pessoas estavam dispostas a unir-se para combater um mal maior, alinhando-se com os próprios governos para erradicar problemas como este.

A primeira tentativa da organização foi disponibilizar o video até 31 de dezembro de 2012, sendo que a partir desse momento, fosse retirado da internet.

20 personalidades associaram-se a este movimento, entre elas Angelina Jolie ou Oprah Winfrey, e 12 políticos, como o ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush ou até o atual secretário de Estado, John Kerry.

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Kony 2012 era uma campanha que tinha tudo para correr bem: publicidade, uma mensagem forte, uma organização bem estruturada e apoiantes. No entanto, acabou por se revelar um flop, sendo mesmo acusada de ser uma falsa campanha com interesse governamental por trás.

Na minha consideração, este será o pontoa de partida procurando perceber até que ponto uma organização estará preparada para enfrentar as proporções que uma das suas campanhas pode tomar. Será que as organizações estarão preparadas para o viral? Por outro lado, é necessário equacionar a capacidade que as mesmas têm em contornar situações de crise ou criticas adjacentes aos projectos que se associam, tanto ao nível nacional como internacional. Será que a organização terá consciência da importância de um plano de campanha e de que forma este contribui para a própria visibilidade do projeto e consciencialização junto do público, por vezes apático, sobre o problema ou causa social? Mas também entender que tipo de retorno é que uma organização ou entidade não governamental pode ter ao se associar a uma causa externa, até mesmo fora da sua fronteira de actividade e fora do seu mercado de actuação. Será o investimento rentável em termos de resultados financeiros? E em termos de reputação da instituição?

Como verificamos no caso assim, apesar de se reunirem todas as aparentes condicionantes para uma campanha de sucesso, Kony 2012 acabou por ser mais alvo de críticas do que ajudas. O que será que correu mal aqui?

Creio que seria bastante importânte ver estas perguntas resolvidas, para que casos como o do documentário KONY 2012, que apoiam causas bastante atuais e que precisam de resolução rápida, tenham o impacto necessário e desejado pela organização.

 

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