Quão importante será comunicar?

Todos os dias, a toda a hora, comunicamos. É algo que se torna inevitável. Genético. É uma acção que não podemos deixar de não fazer. Segundo Peter Ustinov, ator, escritor e dramaturgo inglês,

“Comunicação é a arte de ser entendido.”

Falamos de pessoas, para pessoas, constantemente, e sempre que nos queremos expressar. É isso que distingue os Homens do resto dos animais: a sua capacidade de raciocínio, que faz com que consiga expressar os seus sentimentos, necessidades, medos, a todos aqueles que são comuns à sua espécie.

De acordo com a obra de Gregory Bateson, “Metadiálogos”,  a comunicação é algo com que estamos constantemente a aprender, aliás, aprendemos a aprender. Depende sempre do contexto em que os participantes se encontram, sendo que, “o contexto é pretexto, mas nunca deixa de ser contexto” (pg. 5). Um metadiálogo é uma conversa acerca de um assunto que gera polémica, controvérsia. Apesar de causar toda esta discussão, tem sempre uma estrutura presente. Gregory consegue fazer da sua obra que, aparentemente, é um simples diálogo entre pai e filha, numa verdadeira tese sobre teorias da comunicação.

Como já referi, a comunicação é feita de pessoas para pessoas. Assim, e como seres humanos que somos, temos perspectivas diferentes, quadros mentais distintos, o que por vezes pode trazer diversos problemas para a comunicação.  A ambiguidade de pensamentos guia, também à ambiguidade de significados atribuídos à mesma palavra, por sujeitos diferentes. Numa conversação, quando dois sujeitos entendem de maneira diferente a mesma ideia, é criada uma dissonância de pensamentos, que leva à dispersão da própria conversa.

A nossa necessidade de nos expressarmos é mais que óbvia mas, nem sempre, as palavras são suficientes para o fazermos. O Homem foi inventando e reinventando-se ao longo do tempo, encontrando várias e diferentes maneiras de se expressar, para além de palavras. Pintura, escrita, música, foram algumas das criações que permitem a que, todos os dias, a nossa comunicação se torne mais fácil, sendo que, a maneira mais ancestral de todas, e que já existia antes da própria linguagem, é a linguagem não verbal.

A linguagem não verbal diminui o grau de dificuldade do sujeito se expressar. Gestos, expressões faciais, permitem a que o recetor da mensagem entenda o conteúdo da mesma na sua totalidade e com a máxima veracidade possível. No capítulo “Porque é que os Franceses mexem muito os braços?”, Bateson explica isso mesmo, que a nossa linguagem fica praticamente incompleta se não for acompanhada por gestos “… nenhum esforço em dizer a alguém por «simples palavras» que se está ou não se está zangado é tão bem sucedido como dizer-lhe por gestos ou tom de voz…” (pg.24). Por muito que o sujeito tente esconder, o nosso rosto é composto por mais de mil micro-expressões que, quando analisadas, podem revelar exactamente o que sentimos, por exemplo, se alguém sorrir, mas os seus olhos brilharem muito e estiverem ligeiramente descaídos, percebemos que está a mentir.

Quando falamos de comunicação, falamos de algo que, de tão dúbio que é, não tem uma definição certa. Toda a gente sabe o que é comunicação mas, quando pedimos a alguém para a definir, ninguém sabe o que responder. Porquê? Na nossa cabeça surgem vários conceitos do que é comunicação, situações em que a utilizamos ou todas as formas em que ela possa surgir. Quando nos pedem para definirmos comunicação, todos esse fragmentos se junta na nossa mente, como um puzzle. Pequenos pedaços que se juntam para construir algo maior. Também este esquema de fragmentos surge numa conversa: o emissor e o recetor partilham uma mensagem que, aos poucos, vai sendo construída a partir das diferentes intervenções de ambos. Breton chega mesmo a afirmar que “… uma conversa é um «jogo se uma pessoa toma parte dela com um dado conjunto de emoções ou ideias…” (pg.31).

Numa conversa, todos os interlocutores acabam por aprender algo, devido à partilha de ideias e conhecimentos. Esta partilha faz com que novo conhecimento se forme, a partir da refolmulação e junção de velho conhecimento, como uma malha, que vai sendo tricotada ao longo do tempo, para formar uma peça. Toda esta partilha acontece num espaço dedicado a isso, onde as ideias fluem, se confundem e formam um espaço agonístico (logomático, de confusão, de partilha). Como ideias são construídas momentaneamente, a comunicação é livre, sem contornos, não pode ser definida dentro de moldes quando nem sabemos se estes existem mesmo.

Toda a comunicação depende do sujeito e da sua partilha de ideias, como já foi afirmado antes mas, toda esta comunicação está  também diretamente dependente da experiência do sujeito comunicador e daquilo que ele tem para partilhar com o círculo de intervenientes à sua volta. É algo humano e subjetivo.

Resumindo, “Metadiálogos” é uma obra essencial para quem queira aprender comunicação, sem se aperceber que o está a fazer. Princípios básicos como o de partilha de informação, linguagem não-verbal ou até espaço agonístico são explicados através de uma conversa informal entre pai e filha. Assim, apercebemos-nos como tudo é comunicação e como esta é subjectiva, dependendo do contexto e das pessoas envolvidas neste.

 

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