Empreendedorismo social e o dia de amanhã.

 

No ano de 2008 foi lançado, pela companhia Disney Pixar, um filme intitulado “Wall E”. Wall E retrata aquilo que seria o futuro da humanidade se, de repente, todos os humanos tivessem de deixa o planeta Terra, devido à quantidade de desperdício tóxico e de lixo, provocado pela nossa espécie.

Na cena apresentada em seguida, é possível perceber aquilo que seria a vida dos Humanos, numa nave, dominada pelo consumismo e o conformismo.

 

Os desafios que enfrentamos em pleno séc. XXI são imensos: desde crises mundiais, guerras civis, conjugados com uma imensidão de problemas políticos. Contrastando com estes aspectos, o desenvolvimento tecnológico e o avanço da ciência são cada vez maiores. Durante anos que o principal objectivo do mundo empresarial foi o lucro e o desenvolvimento das empresas, de maneira a que se tornassem grandes multinacionais de referência no mercado.  Hoje em dia, o mundo empresarial apercebeu-se de que a importância de um modelo mais sustentável tinha sido um pouco descartada. Assistimos a uma reviravolta de prioridades, sendo que temas como uma maior taxa de emprego, o desenvolvimento dos países de terceiro mundo ou até a saúde mundial estão no top, no que toca a prioridades. Estamos, aos poucos, a tornar a condição humana e as suas necessidades um trending topic.  A principal questão aqui é: até que ponto podem as organizações e o mundo empresarial pegar nas suas agendas e na sua capacidade criativa de modo a enfrentar os desafios do futuro?

Esta é a principal questão que leva à obra de Philippe de Wood, “Rethinking the Enterprise”.

Hoje em dia atravessamos um momento de revolução e de estagnação, em campos diferentes. O avanço da tecnologia contrasta com o atraso da nossa economia e das nossas crises sociais. Cada vez mais se acredita que a chave para o nosso sucesso reside no progresso da ciência e da tecnologia, resultado dos caprichos das condições políticas e económicas. O empreendedorismo funciona, assim como uma ponte que transforma estes conhecimentos em produtos e serviços, funcionando como agente central do sistema económico. Esta acumulação de conhecimento resulta na sua rápida disseminação, o que justifica a sua expansão e multiplicação, tornando-nos numa sociedade de alto risco. Desta maneira, surge a primeira questão: será que , ainda assim, o empreendedorismo funciona como uma gente de progresso?

Entre o crescimento económico e um bem comum existe uma grande linha que, por consequente, é bastante ténue. A globalização fez com que existisse uma “separação” entre a economia, de um lado, e a ética e a política. Esta “separação” faz com que o nosso modelo económico gere erros sistémicos que, se não forem profetizados, se podem tornar em algo catastrófico à escala global.

Assim, o autor afirma que cabe às autoridades públicas, às forças sociais e à própria sociedade civil contribuir para esta transformação.

Os riscos que uma sociedade corre hoje em dia são imensos e, qualquer deslize de uma sociedade se pode tornar numa desgraça mundial. Para que isto não aconteça, há que restabelecer as dimensões políticas e éticas da economia, que são, frequentemente, deixadas para trás. É aqui que entra o empreendedorismo. Este serve, sobretudo o interesse público, tornando a fronteira entre a ética e o bem comum o seu campo de ação. Desta maneira, não devemos encarar o empreendedorismo como um fim, mas como um caminho que guia a sociedade ao interesse público.

O empreendedorismo acaba por nos levar até ao campo dos negócios. Hoje em dia, o trabalho deve ser encarado como algo dinâmico e criativo pois o seu sucesso e a sua sobrevivência dependem de qualidades como esta, que o diferenciam de todos os outros. Valores como estes devem estar na base de qualquer instituição, citando o autor “ an entreprise is the very agente of economic and technical creativity”.

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Infelizmente, associada a esta vertente da criatividade técnica está sempre um lado mais arriscado. O medo de sofrer consequências, das perguntas acerca do significado das ações concretizadas, dos próprios limites ou até o medo de utilizar mal uma nova ferramenta, podem criar barreiras às novas ideias que surjam, fazendo-as parecer disparatadas, e assim descartá-las logo, sem que sejam postas à parte.

Com a divulgação e o desenvolvimento extremamente rápido da internet e dos media, a divulgação destas ideias e para o incentivo à criatividade é cada vez maior. Novas formas de informação foram criadas, estabeleceu-se uma rede mundial de comunicação interactiva. A mudança é uma palavra de ordem quando falamos do desenvolvimento a que assistimos agora. Esta rede de comunicação faz com que a partilha de ideias e de conteúdos se torne algo astronómico, promovendo o debate acerca dos mais diversos assuntos. Segundo Wood, assistimos a um fenómeno de “information overload” o que, por um lado é algo muito bom, devido à facilidade do acesso á informaçao mas, por lado, faz com que sejamos bombardeados com informação desnecessaria a toda a hora. Com este excesso de informação vem a ambiguidade da invocação tecnológica, nas cabeças do público, e isso pode trazer uma falta de confiança no progresso. É aqui que o papel da responsabilidade corporativa entra de uma maneira fulcral, tornando o poder das organizações em algo gigante. Toda esta ação acaba por dar significado à criatividade, fazendo o público concentrar-se nas suas ações, em prol da dignidade humana, pondo qualquer dimensão ética ou política de lado.

No capitulo 3 o autor acaba por nos falar da maneira como o nosso modelo de desenvolvimento está constantemente a ser atacado pelo público, impulsionando as suas transformações constantes. Neste momento existe dois caminhos para a transformação deste mesmo modelo: ou se muda o seu mecanismo e arriscamos a perder a sua criatividade ou então faz-se com que os líderes olhem para as suas ferramentas e percebam o quanto elas significam. Acredita-se que, se a organização conseguir restaurar a sua dimensão ética e política, algo que está cada vez mais esquecido, é possível que passem a olhar para a realidade e a sua enorme complexidade. Assistimos a um momento de revolução em que a ideia de que a única responsabilidade de uma empresa é aumentar os benefícios dos diferentes stakeholders foi ultrapassada.

Hoje, entendemos a cultura como uma maneira de soft power, que pode ser usada para produzir iterações sociais, criando redes e ligações entre os diferentes públicos, Hoje em dia, a cultura é compreendida como um processo orgânico que mobiliza toda a organização. Os genes dessa mesma companhia estão todos envolvidos na cultura e acama por a contruir. Nesta cultura de organização estão contidos os valores que guiam o comportamento da companhia, o comportamento em si ou até mesmo o clima vivido dentro das portas da organização. Há que perceber que cultura não são só as artes, a medicina ou as tradições. A cultura é criada pelas pessoas que a vivem, dái ser tão importante a sua manutenção dentro das organizações pois, a maioria destas, tem um grande impacto nas populações que a rodeiam.

Com o regresso a valores como a ética e a moralidade, no campo das empresas, o objetivo nunca será destruir o sistema em que vivemos, nem apontar o dedo a quem faz parte dele, mas sim atribuir essa responsabilidade moral àqueles que o comandam. Estas novas abordagens à dimensão ética das empresas são tão essenciais quanto as abordagens à dimensão politica das organizações, pois estas também ajudam a informar e a guiar as escolhas de uma organização e o seu próprio comportamento. Há que haver um compromisso, onde cada organização escolhe a sua direção, transformando o destino em algo planeado e assegurado. Este destino só vai ser o mais correto se for guiado pelos valores corretos, sendo que as éticas da responsabilidade têm de ter em conta não só o comportamento em sim, mas as consequências das decisões e das ações cometidas. Claro que, apesar disto tudo, não podemos descartar a importância do mercado e de tudo aquilo que ele move e orienta no dia a dia da nossa organização.

Acho que, como futura profissional de relações públicas, temos de “andar para a frente” e em direção a um futuro melhor, assumindo a responsabilidade total daquilo que estamos a criar. Há que passar de um estado de indiferença para algo que não seja maioritariamente instrumental, mas que nos faça ouvir “aqueles a que o sistema económico causa sofrimento”. Organizações como a ONU aperceberam-se da necessidade urgente de mudança do futuro  e propuseram o conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, é projectado, para o futuro, um plano real que tem como objetivo trazer responsabilidade às organizações pelo que estão a contribuir para este futuro. O objetivo? A ação económica em prol do bem comum global.

Podemos definir, neste momento, três áreas de progresso essenciais a uma organização:

  •  Entrepreneurship: criatividade e inovação
  • Leadership: organizar e liderar a comunidade
  • Statesmanship: servir o bem comum

A partir destas três áreas de progresso podemos perceber que a capacidade de inovação e de iniciativa são os aspectos mais considerados no que toca ao mundo das empresas, pois acabam por incentivar o desenvolvimento económico, providenciando material para o progresso. Claro que, como tudo, também estas medidas têm contras, como o aumento da competitividade entre regiões. Para que estes confrontos não aconteçam, há que focar o nosso papel nos empresários que lideram este avanço progressista. Há que perceber em que novas formas podemos inovar e em que níveis, de maneira  evitar a estagnação e o esquecimento, por exemplo, desenvolver uma tipo de liderança que desenvolva e estimule a criatividade de todos os membros da empresa. Num bom líder, acaba por ser mais importante o seu percurso de vida e as suas experiências pessoais do que propriamente a capacidade de liderança pois, hoje em dia, qualquer um pode ser líder, mas se não perceber como funciona a sociedade e o mercado, rapidamente se afunda. Cabeça, coração e espirito criam um bom lider, que faça todos os que constroem a prganização partilharem do que há em comum, responsabilizando-se e ajudando, não só no desenvolvimento da organização, mas também no seu próprio desenvolvimento pessoal, que mais tarde cria melhorias na própria empresa.

Resumindo tudo aquilo que foi dito posteriormente, acho que nos começamos a aperceber que trabalhamos com pessoas e para pessoas. Pessoas estas que partilham de valores, culturas, sentimentos e de histórias. Há que pegar nas organizações e “acordá-las” para o mundo e para a sociedade que as rodeia, assim como para a responsabilidade social que estas desenvolveram. Esta responsabilidade acaba por ser muito maior do que nos apercebemos, por isso, há que unir esforços e preparamos, em conjunto, o futuro que aí vem, pois, quando acontecem crises sociais e económicas, as organizações são igualmente afectadas. Evitando estas crises, as empresas têm de “parar de olhar para o seu próprio umbigo” e praticar o altruísmo, um valor que, hoje em dia, foi esquecido, não só pelo o mundo empresarial, mas pela população em si. Se queremos que as coisas corram bem, há que olhar para quem está ao nosso lado, perceber o seu problema, e resolve-lo pois nunca sabemos como será o dia de amanhã.

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